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É Tudo Verdade 2025: 'Copan' tenta compreender polarização em um prédio

  • Foto do escritor: Matheus Mans
    Matheus Mans
  • há 17 minutos
  • 2 min de leitura

Estreou na última quinta-feira, 27, um pequeno documentário digno de nota: o simpático Rua Aurora, produção que busca compreender toda a complexidade de uma rua. E se formos além? E se tentarmos compreender a complexidade de um prédio? É justamente isso que faz Copan, bom documentário na programação do É Tudo Verdade 2025, acontecendo agora em São Paulo.


Dirigido e roteirizado pela jovem cineasta Carine Wallauer, com boa carreira como diretora de fotografia, o documentário é algo que lembra, de alguma forma, outro bom exemplar desta mesma edição do É Tudo Verdade -- Ritas, sobre as várias faces de Rita Lee. Aqui, ao invés de apostar cegamente em entrevistas com moradores do prédio, Carine se torna uma mosca.


Vai pra lá e pra cá, voa por cima do prédio, e tenta entender toda a complexidade que existe naquela estrutura desenhada por Oscar Niemeyer. Sem nunca se render às obviedades das entrevistas, Copan retrata um prédio apenas observando. São as conversas dos porteiros, o tom da reunião de condomínio, as roupas que as pessoas vestem, os trabalhos dos condôminos.


Tudo isso trabalha em prol da narrativa de Carine, complexa desde sempre -- principalmente a partir da boa decisão narrativa de nunca ser didática. A complexidade do prédio vai surgindo naturalmente. O Copan representa o Centro de São Paulo, a cidade, o estado, o Brasil e o mundo.

Há ali guerra de classes -- de novo, bem representada na reunião de condomínio, que poderia ser um documentário por si só -- e até diferenças políticas muito bem representadas. Sem cair no óbvio, tudo isso está na tela, de maneira crua, mas filtrada pelo olhar poético da cineasta.


Uma pena que os últimos vinte minutos deem voltas em ideias que já vimos. Carine Wallauer decide concentrar o retrato na eleição presidencial de 2022, escancarando todas essas tensões e diferenças que já havíamos visto antes. A magia do prédio se perde um pouco. Parece que é um desejo quase pueril em tentar reforçar a questão da pluralidade de vozes que existem no prédio, além de achar que precisa politizar mais a coisa toda, sendo que isso já havia sido feito.


As complexidades já estavam armadas, as diferenças bem estabelecidas. Repetir isso durante a eleição apenas serve para datar o filme e reforçar um didatismo que, até então, não existia.


Ainda assim, Copan é um bom documentário. Mesmo novata na direção, Carine compreende bem seu material de estudo e não deixa de tratar o prédio com toda a estranheza e complexidade que lhe afeta, como se fosse um corpo estranho, um planeta à parte encravado no centro de São Paulo. Vale, enfim, ficar de olho nos próximos passos da cineasta.

 

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