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É Tudo Verdade 2025: 'Ritas' é celebração das várias faces de Rita Lee

  • Foto do escritor: Matheus Mans
    Matheus Mans
  • há 3 horas
  • 2 min de leitura

O festival É Tudo Verdade 2025 começou com o pé direito. Ritas, longa-metragem de abertura do evento em São Paulo, é uma bela homenagem ao legado de Rita Lee -- não apenas dos palcos e das telas, mas todas as suas faces. Ritas, no plural. A pessoa, a avó, a cantora, a gênia.


Dirigido pelo estreante Oswaldo Santana, editor de filmes como Tropicália e Bruna Surfistinha, Ritas foge com louvor da maior armadilha de um documentário do tipo: entrevistas de pessoas desinteressantes. Em nenhum momento há cabeças flutuantes, pessoas falando sem parar. É só (só?) Rita Lee. Relembrando o passado, em gravações antigas, em conversas com a família.


E esse é seu maior acerto. Enquanto filmes como Milton Bituca Nascimento se atropelam num excesso de histórias e de depoimentos, o longa-metragem de abertura do É Tudo Verdade 2025 tem um trabalho: colocar Rita na tela. Assim, consegue formar um mosaico complexo, por vezes um pouco prolixo, sobre quem era essa mulher tão marcante, forte e pra frente de seu tempo.

São riquíssimos os materiais filmados pela própria Rita, como o momento em que mostra o altar que tem em casa (com Bowie, Nossa Senhora e Hebe), ou quando pergunta para a neta o que ela gosta de ver no celular -- e termina pedindo para que ela toque um funk proibidão. É o momento em que traz verdade para dentro do documentário, deixando-o intimista, verdadeiro.


Além disso, nada daquela bobagem de não colocar música na tela, de fugir dos clássicos. Ritas faz interrupções (ou seriam respiros?) com longos pedaços de músicas da artista, indo desde composições mais obscuras até aqueles clássicos indispensáveis. Tem algo do maravilhoso filme A Música Segundo Tom Jobim aqui, com Oswaldo Santana deixando o show rolar solto.


Ritas, enfim, é a celebração nos cinemas que Rita Lee merecia. É um retrato íntimo, complexo, solto, feliz, musical. Alguns vazios narrativos até fazem falta aqui e ali, como se fosse um show acústico em que faltam algumas pancadas, sons, alguns ritmos, mas nada disso faz com que o documentário seja menor, menos importante. É Rita na essência -- e é disso que precisamos.

 

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